É certo que este tema cativa aquele cativo que passa a vida a olhar indiscretamente, não porque sente que faz isso mas sim por ser curioso!
O resto da população interroga o porquê deste tema numa altura em que só se ouve falar de crise e mais crise. Pois eu aqui estou a desenvolver este tema porque é algo que às vezes me irrita e outras vezes pode ser a coisa melhor do mundo, melhor dizendo é algo que me desperta atenção...
Há olhares e olhares: existem uns olhares que são simples e discretos e que não fazem mal a ninguém, mas existem outros que não são nada discretos e que por vezes vêm acompanhados de um ou dois piropos do tipo: “ O teu pai deve ser terrorista, és cá uma bomba!” e esses olhares irritam-me profundamente, só dá vontade de virar para trás e dizer: “ Cuidado, vê lá se aqui a bomba não está em contagem decrescente e prestes a chegar ao zero!”
As pessoas devem ser avaliadas e/ou julgadas pelas suas atitudes e não por aquilo que vestem ou pela forma como andam. E é por isso que os olhares acompanhados de piropos me irritam profundamente!
Faltava-me inspiração, por isso decidi ir passear e pouco tempo depois deparei-me com uma rua cheia de bares e, um pouco mais à frente nessa mesma rua reparei que por acaso me estavam a admirar, mas como foi um olhar bastante discreto não provocou em mim uma sensação de irritação e fúria, apenas me fez sentir bonita!
Pouco depois ocorreu-me que há uns meses atrás três homens na rua que sinceramente não pareciam muito conscientes de si mesmos passaram por mim e um deles disse: “Estás muito bonita!” e três segundos depois foi propositadamente contra uma árvore na tentativa de ter um olhar de volta…
São dois tipos de olhar que parecem não ter nada em comum um com o outro no entanto até têm. E o quê? Os dois olhares me apreciam de alto abaixo porém o que os difere é a forma como o agente da ação reage perante a situação e essa é a diferença entre ser subtil discreto e ser rude e pervertido!
Este tema leva-me a diferenciar o tipo de pessoa que é bem aceite na sociedade e aquele que não o é. E porquê? Porque existe uma grande diferença entre ser engraçado e estúpido se é que me faço entender. Existem olhares que têm a sua graça e esses, normalmente, vêm de pessoas que são bem aceites na sociedade porque se sabem comportar porém existem outros olhares que são tarados e que vem, geralmente, de pessoas que não se sabem comportar e por isso não são aceites ou não são tão bem aceites na sociedade.
O que pretendo dizer com isto é que vivemos numa sociedade hierarquizada, mas que com um pouco de bom senso poderíamos não conviver com níveis tão baixos.
Muito bem, isto começa em olhares e acaba na sociedade, algo estranho mas para mim faz muito sentido porque muitas aventuras da nossa vida começam apenas com um simples olhar indiscreto!
Ângela Gonçalves
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